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Quem tem medo de perder, perde a vontade de ganhar 
 É impossível nesse período de Copa do Mundo deixar de pensar em jogos, vitórias, derrotas e tudo que o grande evento traz à tona e que também faz parte do nosso cotidiano
| Por José Rubens D'Elia   
 É impossível nesse período de Copa do Mundo deixar de pensar em jogos, vitórias, derrotas e tudo que o grande evento traz à tona e que também faz parte do nosso cotidiano.

O ambiente me fez lembrar desta frase, que pode ser relacionada com várias atitudes tanto dos Jogos de futebol como das nossas competições diárias.

Antes de fazermos uma analogia com a nossa vida, que tal uma breve reflexão sobre as primeiras lições dos jogos de estréia?

Independentemente de experiência, dos craques, da previsão de participação e todo o clima de preparação, a emoção do primeiro jogo influenciou a performance da maioria.

A ansiedade, nervosismo, medo, etc são emoções naturais, fazem parte da essência do ser humano e não dá para eliminá-las. O desafio ainda está em saber que existem, aceitá-las e aprender a lidar com elas.

A grande maioria parece estar engatinhando nesse aspecto. Sabemos que falar é fácil. Sentir é que são elas. Administrar então, uma missão para poucos. Mas, acredito que não é uma missão impossível.

Percebemos que a preparação psicológica já faz parte do ritual de uma grande parte das seleções. Mas, como é algo relativamente novo, o resultado ainda é tímido. O que parece predominar pelos resultados obtidos pelas Seleções consideradas favoritas e outras é que a ansiedade ganha da calma, da técnica e de toda a preparação.

A partir do 2o e 3o jogos, as coisas vão se acomodando e o que foi treinado, aliado ao talento, experiência, etc, começam a ocupar o lugar principal.

Não tenho a pretensão de ter receitas e respostas para esse mecanismo. Mas, ele nos dá pistas que é nessa dificuldade que reside o -Calcanhar de Aquiles- da maioria. Então, é um desafio para aprender, trabalhar mais, pois qualquer ganho nesse sentido pode representar uma vantagem competitiva.

Tanto as seleções de futebol, os demais esportes e nós, profissionais-atletas podemos encarar esse processo como algo a estudar, treinar e encontrar alternativas.

No nosso cotidiano temos várias estréias. Muitas até simultâneas.

Mesmo que tenhamos todas as condições técnicas, experiência e preparo específico, nem sempre o resultado é compatível com o esperado. Muitas vezes, o estresse gerado pela ansiedade, põe por terra toda a energia gasta no preparo. Outras, a falta de técnicas para lidar com essa ansiedade natural, faz com que ela ganhe maior visibilidade do que a nossa competência.

O que podemos fazer nesse impasse, que pode estar ocorrendo na nossa vida pessoal e profissional?

Algumas lições aprendidas e que me fizeram bem podem ser experimentadas e aperfeiçoadas.

O primeiro passo é aceitar que essas emoções são humanas, fazem parte de nós e que "negá-las" só aumenta a nossa fragilidade.

O segundo passo é a permissão para senti-las e conhecer como elas se manifestam no seu corpo, cabeça e alma.

O terceiro é praticar algumas alternativas para fazer com que elas fiquem na dose normal, sem causar prejuízo ao desempenho técnico, profissional e pessoal.

Inclua no seu ritual de preparação pessoal e profissional alguns minutos para essa parte psicológica.

- Respire calmamente
- Alongue-se
- Visualize-se na situação de "estréia" com a atitude que deseja estar. Se possível, sinta -se realmente vivendo a situação, de forma positiva
- Fale para você mensagens de reforço à sua competência
- Agradeça pela sua atuação vitoriosa

Esse pequeno ritual pode ser enriquecido com outras práticas. Experimente. Use a sua criatividade. Ouse mudar a sua forma de atuação. E, com certeza, seu desempenho será melhor em todos os sentidos.

Se vier o medo de perder, encare-o naturalmente. E substitua-o pela crença na vitória.

Você pode e merece!
 
Colunista:  
José Rubens D'Elia, que assina esta coluna, é formado em educação física, treinou equipes nacionais de ciclismo, que representaram o Brasil nas Olimpíadas de Los Angeles, Seul e Barcelona. D'Elia é consultor esportivo da Equipe Olímpica de Ciclismo, preparador físico do velejador heptacampeão e ouro em Atenas Robert Scheidt há mais de seis anos. Em mais de 20 anos, atendeu mais de 500 atletas nacionais e internacionais, entre eles pilotos como Christian Fittipaldi, Mário Haberfeld e Bruno Senna. Sua metodologia, a Terapia Esportiva, foi recentemente oficializada em seu Livro Fábrica de Campeões . Atualmente, é consultor de empresas, professor e palestrante de qualidade de vida, colunista de revistas e jornal, comentarista de rádio e da TV Globo e Sportv.
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