Em pleno século 21, em que vários holofotes do mundo estão voltados para a importância de fazer atividade física, parece um pouco fora de hora essa pergunta. Mais do que ninguém, eu gostaria que realmente fosse um equívoco e que não tivesse eco na nossa realidade.Infelizmente, os números evidenciam o contrário. Apenas 2% da humanidade pratica regularmente atividade física.
Como o corpo humano pede movimento para funcionar regularmente, percebemos que há uma grande incoerência entre essa verdade e o atual diagnóstico de sedentarismo da população.
Por que não aprendemos desde cedo a gostar de Atividade Física , como parte do nosso ritual diário?
Por que ainda associamos atividade física com algo -imposto- pela mídia, pela ditadura do corpo perfeito e como uma atitude optativa, sem importância alguma para a nossa vida?
Algumas respostas podem explicar todo esse descaso que fazemos com o nosso próprio corpo.A primeira e grande razão é que sabemos muito pouco sobre o nosso corpo, seu funcionamento e suas necessidades. E mesmo os que sabem, pelo exercício de suas profissões, não se sentem estimulados à atividade física. Constatamos no nosso cotidiano muitos profissionais de saúde, que também engrossam a fila do Sedentarismo. Isso mostra que o problema está mais embaixo.
Aprendemos muito pouco sobre o nosso - hardware -, tivemos raríssimos contatos com atividade física nas aulas de Educação física, que pelo modelo do passado tiveram muito mais o papel de -deseducar- e de desestimular o gosto pelo movimento, pois eram impostas, chatas , privilegiando -inconscientemente- uma minoria que tinha talento para o Esporte.
E essas primeiras lições na infância e/ou adolescência criaram o -mito- - Atividade física não é para mim - Não gosto de fazer ginástica - Acho uma chatice esses exercícios , etc etc etc.
Hoje, esse legado está traduzido em dados estarrecedores sobre as doenças causadas pelo Sedentarismo. Muitas delas, silenciosas . Quando se manifestam, já estão instaladas com os seus malefícios para a saúde e para a vida.
Querendo ou não, gostando ou não, quando a saúde se fragiliza, em qualquer área do nosso corpo, a recomendação médica hoje é unânime : junto com a prescrição médica, vem o remédio complementar : Fazer Atividade Física. E agora, como alternativa para recuperar a saúde, em muitos casos, como única saída para manter a vida.
É possível mudar esse quadro?
Felizmente, SIM. Faz parte da minha missão conscientizar as pessoas pelo prazer, pelo respeito à identidade, pela conquista da auto-estima.Conciliar informação com conscientização, através da experiência individualizada é o nosso desafio. Cada de um de nós tem internamente uma gama de possibilidades infinita. Através do autoconhecimento, podemos escolher algo que nos faça bem e que nos devolva o caminho natural do corpo : movimento.
O Corpo, quando recebe o que precisa , devolve em dobro energia, saúde, disposição. Como nossa casa , ele também ao nosso carro. Precisa de água, óleo, manutenção periódica revisões de quilometragem, funilaria , pintura, etc. Quando todas essas providências não são feitas, ele nos deixa na mão, no momento em que mais precisamos dele.
O carro, podemos trocar por um novo, se tivermos dinheiro. Nosso corpo, mesmo com todo o dinheiro do mundo, NÃO.. Ele vai nos acompanhar a vida toda.Mas, há muito que podemos fazer por ele, com MUITO POUCO. Basta escolher, ter disciplina e amor pela vida.Sempre é tempo. O seu tempo é agora, ao ler essa coluna. Principalmente, se tiver uma ação proativa.
Você está cuidando do seu corpo ou só -carregando- a carcaça para onde vai?
Quanto tempo do seu dia você dedica ao que ele precisa?
A atividade física faz parte da sua rotina, ou você ainda repete o velho e cansado discurso: Não tenho tempo.
Como já devo ter falado em outros artigos, até 30 anos, o corpo se auto-regula. Depois, ele começa a dar sinais de que precisa receber seu combustível natural: movimento e atividade física.
Imagine-se na melhor idade : Você vai se locomover sozinho, viajar, curtir a vida, dançar, caminhar, participar de atividades com amigos ou vai precisar que alguém o leve, porque seu corpo não obedece mais?
Comece agora. Você pode e merece!
Jose Rubens D-Elia, que assina esta coluna, é formado em educação física, treinou equipes nacionais de ciclismo, que representaram o Brasil nas Olimpíadas de Los Angeles, Seul e Barcelona. D-Elia é consultor esportivo da Equipe Olímpica de Ciclismo, preparador físico do velejador heptacampeão e ouro em Atenas Robert Scheidt há mais de seis anos. Em mais de 20 anos, atendeu mais de 500 atletas nacionais e internacionais, entre eles pilotos como Christian Fittipaldi, Mário Haberfeld e Bruno Senna. Sua metodologia, a Terapia Esportiva, foi recentemente oficializada em seu Livro Fábrica de Campeões . Atualmente, é consultor de empresas, professor e palestrante de qualidade de vida, colunista de revistas e jornal, comentarista de rádio e da TV Globo e Sportv.
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