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O limite da dor...existe? 
Atleta que é atleta sente dor, adeptos da atividade física também. Bolhas no pé, pernas queimando com o ácido lático, assaduras nos lugares mais improváveis, falta de ar, dor, dor e mais dor
| Por Daniela Schramm Szenészi   

Atleta que é atleta sente dor, adeptos da atividade física também. Bolhas no pé, pernas queimando com o ácido lático, assaduras nos lugares mais improváveis, falta de ar, dor, dor e mais dor. A dor é companheira das piores horas, aparece quando a gente menos quer que ela apareça, e resolve ficar.

Às vezes acho que a dor se sente sozinha e quer companhia, quer ficar junto, quer participar. Dor amiga, companheira, e junto com ela vem outra dor, acho que elas andam em bando, não sabem vir sozinhas.

Sentir dor faz parte da vida e de qualquer treinamento, independente do nível de performance. No momento que se decide começar (ou retomar) o esporte, ela aparece. Às vezes de leve, só pra dizer que o exercício está -fazendo efeito-. Às vezes ela vem com tudo avisando que você -exagerou na dose-. No treinamento, é preciso fortalecer o corpo para aumentar as cargas e ter uma mente preparada para suportar a dor.

Negar a dor, fingir que ela não está ali não resolve. Aceitar a dor como parte do treino facilita, pois pode ser esse esforço que vai fazer a diferença no desempenho final. A dor é um sinal sim, sinal de que coisas estão acontecendo no seu corpo. Preste atenção nessa dor, procure o que está causando, procure resolver. Se não há solução naquele momento converse com você mesmo, afinal, quem nunca conversou com sua própria dor, não é? (ô dorzinha, me deixa vai, sai daqui, segura a onda ai mais um pouquinho...).

Muitas vezes a dor aparece lá no comecinho do treino, já avisando que -o bicho vai pegar-. Nesses casos, vale começar com um pouquinho mais de calma, dando tempo para o corpo aquecer e verificar se dá para continuar ou não.

Quando a dor vai aparecendo no meio ou no final do treino, diminua o ritmo um pouco (para remover o ácido lático), converse com você mesmo, pense no prazer de treinar e fazer seu esporte, foque na sua respiração, na sua postura. Comece a imaginar de uma maneira mais clara o seu corpo funcionando bem, a respiração na região abdominal profunda e em um ritmo bom, os músculos fortes e trabalhando intensamente, veja você mesmo ali treinando como se você tivesse olhando de fora do seu corpo, observe a sua postura, conserte a sua postura, a posição dos pés, dos braços, das pernas, do peito, da cabeça e, enquanto você faz isso, a dor vai indo embora e uma sensação de bem estar e força podem tomar conta do seu corpo.

Lidar com a dor é uma necessidade, então use a sua criatividade, imagine que você é o super-homem e que tem poderes que te protegem da dor, imagine que é um animal forte como um cavalo que vai galopando com seus músculos invencíveis! Faça o que for preciso, use a sua cabeça, dê risada da própria dor, literalmente!

Saber parar também é importante. A dor é um sinal e deve ser acima de tudo respeitada. Se ela só aparece depois que o corpo esfria, vá descansar. Se ela persistir, procure um médico e trate a sua dor. Isso também é usar a cabeça. Não dá pra saber qual é o limite da dor. Mas sempre, preste atenção nela, suportá-la é parte do treinamento, mas se ela persistir, procure ajuda médica e vá tratá-la.

Um grande abraço a todos e excelentes treinos de primavera!

Daniela Schramm Szenészi, que assina esta coluna, é psicóloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, com Mestrado também pela UFSC com a dissertação "Hipnose em triatletas: percepção das características da visualização da prova Ironman e seus aspectos psicofisiológicos". Daniela está escrevendo uma monografia para a especialização em Fisiologia do Esporte na UFSC sobre estresse em triatletas. Também tem experiência no atendimento em consultório de atletas profissionais e amadores, como a bicampeã mundial de bodyboard, Soraia Rocha, e o hexacampeão mundial da mesma modalidade, Guilherme Tâmega. Atua também como consultora de equipes (Mormaii, Floripairon) e clubes, além de ministrar palestras sobre Psicologia do Esporte, com trabalhos publicados nesta área em diversos Congressos e Publicações especializadas.
daniela.psiesporte@gmail.com


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