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O duro deserto chileno na rota dos bikers do Ciclopoesis 
Saímos de Chañaral em direção a Antofogasta, estávamos muito ansiosos para pedalar os próximos km, o que nos aguardava era o Parque Nacional Pan de Azucar.
| Por Ciclopoesis   

Saímos de Chañaral em direção a Antofogasta, estávamos muito ansiosos para pedalar os próximos km, o que nos aguardava era o Parque Nacional Pan de Azucar. Logo no inicio desfrutamos de uma paisagem surreal, montanhas repletas de cactus e o Pacifico com sua brisa refrescante amenizando o calor desértico. Experimentamos nesse trecho um pedal tranqüilo, longe da agressividade dos pesados caminhões chilenos. Pedalar numa estrada alternativa é espetacular, -hay que hacerlo!-.

O Parque Nacional Pan de Azucar é uma reserva natural muito especial, chegamos a noite e acampamos numa praia. Quando acordamos ficamos anestesiados com a beleza dessa região, uma mistura de deserto com praia, montanhas altas e rochas com a maior diversidade de espécies de cactus que existe no chile. Tivemos o privilegio de conhecer toda essa região pedalando com Antonio e Sol, dois amigos que encontramos caminhando na mesma direção que nós, o caminho da transformação das relações sócio-ambientais.

Nos despedimos desse lugar mágico revitalizados e com energia para continuar nosso pedal, teríamos pela frente um dos trechos mais longos e temidos dessa etapa. O trecho de Chañaral até Antofagasta possui distâncias de 140 km de deserto sem nada no caminho, isso é assustador quando se esta viajando de bicicleta. Nesse contexto estudamos o mapa e conversamos muito com diferentes pessoas que nos davam informações, muitas delas contraditórias, fazendo com que a escolha do caminho se tornasse algo bastante complexo.

Optamos por fazer um trajeto alternativo pela costa, dessa maneira segumos até a vila de pescadores Paposo onde fomos acolhidos por uma familia local. Na manha seguinte enfrentamos aproximadamente 50 km de subida, saímos do nível do mar e pedalamos até 2 mil metros a cima do mar, definitivamente foi o trajeto mais pesado de toda viagem.

Depois de experimentar as dificuldades da altitude, vento e longas subidas conseguimos abrigo em um acampamento de uma empresa que esta construindo uma nova estrada nesse trecho. Pedalamos até Antofagasta e logo na entrada da cidade observamos uma casa com a bandeira do Brasil... finalmente um prato de arroz e feijão!

Paulinho, um gaúcho de Bagé representou a hospitalidade brasileira, além de nos convidar para almoçar, cedeu um espaço em seu restaurante para passarmos a noite. Tivemos um problema em Antofagasta que atrasou nossa viagem, Rodrigo contraiu uma infecção intestinal e precisou de cuidados médicos.

Com este imprevisto atrasamos a viagem em um dia. Após nos despedirmos do Pacifico em Antofagasta, fizemos uma ligação para Karina que nos confirmou sua chegada em Calama no dia seguinte às 11 horas da manhã, sendo assim teríamos que percorrer 210 km em um dia. Rodrigo, ainda estava se recuperando da infecção, nesse contexto, conseguimos pedalar apenas 70 km, o restante fizemos a bordo de uma caminhonete que nos deixou em Calama.

Procuramos abrigo no Corpo de Bombeiros que não puderam nos ajudar, mas uma pessoa muito especial cruzou nosso caminho, e nos convidou para passar a noite em sua casa. Conversamos durante horas e tivemos a oportunidade de conhecer ainda mais as raízes do povo chileno. Estamos praticamente nos despedindo do Chile, e com isso já estamos saudosos da hospitalidade e do carinho desses vizinhos Sul-Americanos que muito nos ensinaram. A seguir relatos do próximo -capitulo-, com inicio em San Pedro de Atacama.

Os ciclistas Rodrigo Ferrari, Vitor Carneiro, Ricardo Zinner e Karina Oliana embarcaram no último dia 4 de janeiro para uma jornada de 18 mil quilômetros de bicicleta pela América do Sul. A viagem tem um propósito e um nome, Projeto Ciclopoiesis, que pretende difundir a bike como meio de transporte e como simbolismo de transformação das relações sócio-ambientais. O ativo.com vai acompanhar o projeto.

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