A utilização dos Esteróides Anabolizantes (EA) vem ocorrendo com freqüência cada vez maior. Seu uso indiscriminado, visando aprimoramento estético e de performance, tem aumentado a incidência de seus efeitos colaterais. Por serem usados sem supervisão médica, fora de suas indicações iniciais e, na maioria das vezes por indivíduos que buscam resultados imediatos, esses efeitos indesejados têm sido freqüentemente relatados por seus usuários. Até mesmo na literatura médica, por razões éticas, não existem publicações de pesquisas direcionadas ao emprego dos EA com essa finalidade. Com isso, as doses que são utilizadas não têm um embasamento científico.
Os EA provocam aumento da síntese de proteína e são antagonistas dos glicocorticóides (substâncias que tem efeito catabólico e tem sua produção aumentada após treinamentos intensos). Esse efeito já é o suficiente para um incremento da massa muscular (massa magra) e conseqüente melhoria estética. Além disso, possuem efeito sobre o SNC (euforia, recuperação mais rápida dos desgastes de treinamentos e diminuição da fadiga) e na produção de hemáceas (aumentam a taxa de hemoglobina e conseqüentemente o transporte de oxigênio).
Ao não se preocuparem com seus efeitos deletérios os usuários mais afoitos chegam a fazer uso de drogas que tem emprego na veterinária. Isso contribui para que os efeitos adversos dos EA apareçam mais rapidamente, como:
Elevação das enzimas hepáticas, hepatite química, icterícia e propensão aumentada ao desenvolvimento do hepatocarcinoma.
Aumento dos níveis de colesterol sanguíneo, principalmente às custas de LDL ("colesterol ruim"), que está mais relacionado à formação de placas de gordura nas paredes arteriais e conseqüente obstrução. O HDL ("colesterol bom") tem diminuição de seus níveis. Esses efeitos começam a aparecer em uma semana e podem levar cerca de um ano após a sua interrupção para se normalizarem. Hipertensão arterial, Infarto Agudo do Miocárdio e Morte Súbita também tem sido descritos como conseqüentes ao emprego de EA.
Sintomas psiquiátricos como paranóia, delírio, manias e tendência homicida são observados. Comparando-se fisiculturistas que não usam EA com os que usam, estudos detectaram maior incidência de depressão, ansiedade, hostilidade, paranóia e agressividade no segundo grupo. Aqueles indivíduos que já apresentam tendência a distúrbios psiquiátricos têm sua incidência aumentada ao utilizarem EA. Por produzirem dependência, a interrupção de seu uso causa desordens emocionais já que o indivíduo considera-se "menos forte" ou com performance mais fraca.
No sistema reprodutor ocorre: Atrofia testicular, diminuição do número de espermatozóides e alteração de seu formato. Pode ocorrer aumento do tecido mamário nos homens e atrofia deste nas mulheres. Aumento da incidência de câncer testicular foi relatado em alguns casos. Nas mulheres, observa-se também, crescimento de pelos, acne, alteração de voz, hipertrofia de mama e até calvície.
Com a realização de testes anti-doping com maior freqüência, principalmente próximo a Jogos importantes, espera-se que os atletas de alto nível aumentem sua preocupação quanto à utilização dos EA. Já aqueles jovens praticantes não competitivos, que buscam apenas aprimoramento estético e submetem-se às orientações de "pseudo-profissionais", devem ser alertados de forma mais consistente e rígida. Só o tempo nos dirá a dimensão desse grave problema.
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