ndependente de o mundo corporativo ter essa manchete como imperativo diário e de existir uma avalanche de cursos, palestras e livros sobre o assunto, há ainda uma defasagem muito grande entre a consciência intelectual sobre o tema e a ação prática no cotidiano.
Sem a pretensão de solucionar o problema e sim de diminuir a distância entre discurso e ação, tenho dado palestras a respeito, compartilhando a minha experiência e metodologia.
Percebo que uma das grandes dificuldades da maioria das pessoas está em -superar por superar- ou porque -seja um mandamento da empresa/organização em que atua-.
Observando esse primeiro impasse, procuro sempre resgatar com o atleta-profissional ou profissional-atleta (executivos/executivas) que atendo o seu sonho e o ajudo a transformá-lo em missão de vida.
Se essa base não for alicerçada e não representar a cabeça, corpo e alma da pessoa, todo o resto, por mais qualitativo que seja, cai por terra. Não evolui. Desmorona na primeira dificuldade. Ao contrário, se a missão estiver clara e ativar a razão e a emoção, metade do caminho já foi percorrido.
Mesmo que num primeiro momento, haja dificuldade de saber qual é essa missão, é importante investir tempo para descobri-la. Se não sabemos a que viemos nesse planeta, está mais do que na hora de pararmos e entendermos o significado da nossa existência. Pode parecer filosófico para alguns, piegas para outros, mas essa é a essência. Se ela não estiver clara, não haverá luz no final do túnel. Sucumbiremos nos desafios, porque eles não terão sentido e sempre nos roubarão energia física e emocional.
Sabemos que com a velocidade de tudo e a pressão por resultados, podemos justificar falta de tempo para essa reflexão.
De novo, insisto e afirmo: priorizar esse tempo nas suas 24 horas diárias é a tarefa número um.
Depois dessa primeira etapa, todas as demais ficarão claras e fluirão naturalmente. Não se tornarão fáceis como num passe de mágica, mas serão conduzidas pela energia que vem da alma, da crença na missão, do poder que emana da consciência aliada à ação.
Para facilitar a organização dos passos seguintes, uso a metodologia do meu livro Fábrica de Campeões, que tem se mostrado muito eficaz e didática, para transformar em realidade a missão de cada um, seja na vida esportiva, na corporativa, na pessoal.
A missão está traduzida no primeiro passo: Qual a sua Olimpíada? Como não poderia deixar de ser, o símbolo esportivo de uma das maiores festas da humanidade e que representa a possibilidade permanente da superação de desafios representa o estágio mais importante.
Após a definição e escolha da missão, é necessário assumi-la. Ela só sairá do papel, com o comprometimento total. É tudo ou nada. E de novo, faço uma analogia para inspirar ainda mais o meu cliente. Relembro que não existe meia medalha, meio podium. É necessário estar inteiro, de corpo e alma, para fazer jus à conquista.
Após, é necessário começar e definir como e quanto será a ação diária. A pressão do ambiente e as circunstâncias não previstas no cotidiano podem estimular a vontade de retroceder, de desistir. Para que o antídoto atue imediatamente a esses sentimentos, é necessário ter vivo os modelos de pessoas vencedoras. Sim, é importante ter como mentores diários, pessoas que admiramos, acreditamos e que representam exemplos concretos de superação. Se eles puderam, nós também podemos.
Quando a fadiga chegar e persistir em ficar, a forma de mandá-la embora seja com celebração. Cada passo precisa ser valorizado. É vital nutrir-se com elogios e afirmações positivas. Cada etapa em direção ao podium merece ser comemorada.
Não existem receitas prontas para superar desafios. Mas há caminhos já percorridos e experiências vitoriosas, que podem ser aprendidas, assimiladas e ajustadas ao perfil de cada um.
Esse é o seu desafio. A partir de modelos vencedores, construir o seu, acreditar nele e colocar-se de corpo e alma na sua realização.